Dra. Silvia Brandalise
Médica oncologista pediátrica, fundadora do Centro Infantil Boldrini e referência internacional na humanização hospitalar.
Relação com Roberto Gallo
A Dra. Silvia Brandalise é médica oncologista pediátrica e fundadora do Centro Infantil Boldrini, em Campinas (SP), instituição reconhecida nacional e internacionalmente como referência no tratamento do câncer infantojuvenil, na pesquisa científica e na humanização hospitalar.
Em 2008, convidou Roberto Gallo para desenvolver o conjunto de pinturas murais do novo setor de Radioterapia do hospital. O convite refletia a convicção de que a arte deveria fazer parte do ambiente hospitalar, contribuindo para a construção de espaços mais acolhedores para pacientes, familiares e profissionais da saúde.
Segundo depoimento concedido durante esta pesquisa, a Dra. Silvia Brandalise adquiriu, com recursos próprios provenientes de uma pequena herança recebida de seus pais, as tintas utilizadas na execução da obra. Ao entregar o projeto ao artista, concedeu-lhe total liberdade criativa, resumindo sua orientação em uma única frase:
“Faça o que você quiser.”
O resultado foi um extenso mural em técnica trompe-l’œil, executado diretamente sobre as paredes do setor de Radioterapia, integrando pintura, arquitetura e paisagem em uma das mais importantes obras de Roberto Gallo no campo da humanização hospitalar.
Colaboração com a pesquisa
Durante o processo de catalogação do acervo de Roberto Gallo, Marina Gallo realizou uma visita técnica ao Centro Infantil Boldrini para documentar o estado atual do mural. Na ocasião, a Dra. Silvia Brandalise concedeu uma entrevista na qual compartilhou a história da criação da obra, a filosofia que orientou sua implantação e aspectos da trajetória do hospital.
Embora a intenção inicial da entrevista fosse registrar informações sobre o mural, o encontro revelou uma reflexão mais ampla sobre filantropia, medicina e responsabilidade social.
Logo no início da conversa, a Dra. Silvia Brandalise dirigiu a Marina uma pergunta que marcou profundamente a pesquisa:
“O que você faz pelos outros?”
A partir dessa reflexão, a entrevista transformou-se em um diálogo sobre o papel da arte, da solidariedade e da humanização na construção de uma sociedade mais justa.
Importância para a pesquisa
O depoimento da Dra. Silvia Brandalise constitui uma das principais fontes primárias relacionadas ao mural do Centro Infantil Boldrini. Mais do que documentar a realização da obra, sua contribuição permite compreender o contexto institucional em que ela foi concebida e a importância atribuída à arte como parte integrante do cuidado em saúde.
Sua colaboração amplia a compreensão da trajetória de Roberto Gallo e reforça o papel da arte na construção de ambientes voltados ao acolhimento, à dignidade e à humanização hospitalar.
Estado atual da pesquisa
A entrevista realizada em 2026 integra o conjunto de fontes primárias deste acervo. Novos trechos, transcrições e registros audiovisuais poderão ser incorporados futuramente, aprofundando a compreensão sobre a relação entre Roberto Gallo, o Centro Infantil Boldrini e o desenvolvimento de projetos de arte aplicada aos ambientes hospitalares. Encontro com a Dra. Silvia Brandalise
Meu encontro com a Dra Silvia Brandalise
Minha visita ao Centro Infantil Boldrini tinha um objetivo muito específico: fotografar novamente o mural executado por meu pai, Roberto Gallo, em 2008. Pretendia registrar a obra, localizar um quadro que aparecia em fotografias antigas e compreender melhor as circunstâncias de sua execução.
A pesquisa, porém, tomou outro rumo.
Recebida pela equipe do hospital, percorri diferentes ambientes em busca das obras e, ao final, tive a oportunidade de conversar com a Dra. Silvia Brandalise, fundadora do Centro Infantil Boldrini e uma das maiores referências da oncologia pediátrica brasileira.
Antes mesmo de iniciarmos a entrevista, ela me fez uma pergunta inesperada:
“O que você faz pelos outros?”
A pergunta mudou completamente o sentido daquele encontro.
Até então, eu estava ali como pesquisadora, reunindo informações para catalogar a obra de meu pai. Aos poucos, compreendi que ela falava de algo muito maior: propósito, responsabilidade e compromisso com a sociedade.
Ao contar a história do Boldrini, a Dra. Silvia Brandalise explicou que o hospital nasceu da convicção de que excelência médica e humanização não podem ser separadas. Falou sobre a importância da filantropia, lembrando que grande parte da instituição é sustentada pela solidariedade de milhares de pessoas. Disse uma frase que permanece comigo: quem mais contribui para o hospital é justamente a população mais simples.
Quando perguntei sobre o mural, ela sorriu e contou uma história que eu jamais imaginaria ouvir.
Recebera uma pequena herança de seus pais e decidiu utilizar aquele dinheiro para comprar as tintas da pintura. Depois disse ao meu pai apenas:
“Faça o que você quiser.”
Essa confiança deu origem ao grande painel que permanece até hoje no setor de Radioterapia do hospital.
Saí do Boldrini com muito mais do que fotografias e documentos. Entendi que aquele mural não era apenas uma pintura em uma parede. Era parte de um projeto institucional que compreendia a arte como elemento de acolhimento, dignidade e cuidado.
Mais do que respostas sobre uma obra, encontrei uma lição sobre generosidade, filantropia e responsabilidade social. Foi uma das entrevistas mais marcantes de toda a pesquisa sobre a trajetória de Roberto Gallo.