ROBERTO ALVES GALLO
BIOGRAFIA do ARTISTA
BIOGRAFIA do ARTISTA
Roberto Alves Gallo
(Campinas, 15 de maio de 1957 – Balneário Camboriú, 18 de julho de 2023)
Roberto Alves Gallo foi artista plástico, pintor, desenhista, aquarelista, escultor, muralista, paisagista e cenógrafo brasileiro. Ao longo de quase cinco décadas de atuação, desenvolveu uma linguagem artística própria baseada na integração entre pintura, escultura, paisagismo e arquitetura, tornando-se uma das principais referências brasileiras na criação de cenografias para aquários, zoológicos, parques temáticos e ambientes de visitação pública.
Sua trajetória revela um percurso singular. Embora tenha atuado em diferentes linguagens artísticas, toda a sua produção foi marcada por uma investigação contínua da paisagem. Das primeiras aquarelas e pinturas de marinhas às monumentais cenografias para aquários, sua obra sempre buscou compreender e reinterpretar a relação entre natureza, espaço e experiência humana. Mais do que representar paisagens, Roberto Gallo passou a construí-las.
Iniciou sua formação artística ainda na infância, em Campinas (SP), onde estudou com os artistas Aldo Cardarelli e Olavo Sampaio. Posteriormente, frequentou cursos de desenho, pintura e gravura no Conservatório de Campinas (PUC-Campinas) e no Museu José Pancetti.
Realizou ainda especialização em Metodologia e Técnica de Afrescos na Accademia di Belle Arti de Florença, na Itália, experiência que aprofundou seu interesse por grandes pinturas murais e pela relação entre arte e arquitetura.
Desde 1975 desenvolveu projetos de paisagismo, atividade que exerceu paralelamente à pintura durante muitos anos. Essa formação como paisagista influenciou profundamente sua percepção espacial e tornou-se um dos pilares de sua produção artística. Ao projetar jardins, aprendeu a pensar a paisagem como experiência, princípio que mais tarde seria ampliado para a criação de esculturas, murais e cenografias ambientais.
Durante as décadas de 1980 e 1990 consolidou-se como pintor e aquarelista, realizando exposições individuais e coletivas em importantes instituições culturais do Brasil e do exterior. Sua produção abordava marinhas, paisagens urbanas, bosques, cenas do Pantanal, abstrações e estudos da natureza, explorando luz, atmosfera e profundidade.
Participou da VIII Bienal Ibero-Americana de Arte, no México, em 1992, realizou exposições individuais no Brasil e em Omã, participou da BELA – Biennial of European and Latin American Contemporary Art, em Helsinque, e, em 2021, apresentou a exposição Intervenções, no Centro Cultural Correios, no Rio de Janeiro, reunindo pinturas, esculturas, desenhos e maquetes que evidenciavam o diálogo entre sua produção artística e a cenografia ambiental.
Ao mesmo tempo em que desenvolvia sua carreira nas artes plásticas, ampliou sua atuação para esculturas monumentais, murais e obras públicas. Em Caraguatatuba (SP), executou um conjunto de intervenções urbanas que inclui o Monumento ao Caiçara, painéis em baixo-relevo e o Farol das Nuvens, integrando arte, arquitetura e identidade cultural em espaços públicos.
Sua relação com a natureza sempre esteve no centro de sua produção. Desde jovem, frequentou o Pantanal sul-mato-grossense, onde sua família possuía um rancho na região de Miranda (MS). As longas temporadas entre rios, baías e áreas alagadas influenciaram profundamente seu olhar artístico. A observação da vegetação, da luz, dos cursos d’água e dos modos de vida pantaneiros tornou-se referência permanente em suas pinturas e, posteriormente, em seus projetos cenográficos.
A partir da década de 1990, passou a dedicar-se intensamente à criação de habitats artificiais para aquários públicos, zoológicos e espaços de educação ambiental. Desenvolveu uma linguagem própria na construção artesanal de rochas artificiais, paredões, cavernas, árvores, troncos, cachoeiras e paisagens submersas, combinando observação direta da natureza, domínio técnico dos materiais e sensibilidade artística. Seu trabalho buscava não apenas reproduzir ecossistemas, mas criar ambientes capazes de transmitir ao visitante a experiência de estar imerso na paisagem natural.
Um dos momentos decisivos de sua trajetória ocorreu entre 2015 e 2016, com a execução da cenografia do AquaRio, Aquario Marinho do Rio de Janeiro. O projeto representou uma mudança definitiva na escala de seu trabalho. A criação de ambientes para o maior aquário marinho da América do Sul exigiu o desenvolvimento de soluções inéditas de engenharia, logística e modelagem escultórica, envolvendo estruturas monumentais, peças de grandes dimensões e processos construtivos altamente especializados. A partir desse projeto, Roberto Gallo consolidou-se nacionalmente como referência em cenografia ambiental para grandes empreendimentos, passando a atuar em obras de crescente complexidade técnica e artística.
Nos anos seguintes participou de alguns dos mais importantes projetos brasileiros na área de aquários e habitats artificiais, entre eles o Oceanic Aquarium, em Balneário Camboriú; o Bioparque Pantanal, em Campo Grande; além de projetos para zoológicos, parques temáticos e espaços de visitação pública. Em 2018 realizou a cenografia do Caminho do Rosário, no Santuário Nacional de Aparecida, desenvolvendo formações rochosas e ambientações para as vinte cenas que compõem o percurso contemplativo às margens do Rio Paraíba do Sul.
Paralelamente, desenvolveu trabalhos voltados à humanização de ambientes hospitalares. Destaca-se o grande mural realizado em 2008 para o Centro Infantil Boldrini, em Campinas, a convite da Dra. Silvia Brandalise. Executada diretamente sobre as paredes do setor de Radioterapia utilizando a técnica do trompe-l’œil, a obra integra a proposta de humanização da instituição e permanece preservada até hoje. Registros documentais indicam que, nesse período, Roberto Gallo desenvolveu uma pesquisa voltada à utilização da arte em ambientes hospitalares, reunida posteriormente sob o título Hospitalarte.
A partir do AquaRio, Roberto Gallo passou a dedicar-se a empreendimentos de grande porte, nos quais a cenografia ambiental assumiu papel central em sua produção. Entre seus principais trabalhos dessa fase destacam-se o Oceanic Aquarium, em Balneário Camboriú; o Bioparque Pantanal, em Campo Grande; a cenografia do Caminho do Rosário, no Santuário Nacional de Aparecida; além de projetos para zoológicos, parques temáticos e espaços de visitação pública. Cada novo empreendimento ampliava sua pesquisa sobre paisagem, materiais, narrativa espacial e experiência do visitante, consolidando uma linguagem artística que integrava observação da natureza, rigor técnico e sensibilidade plástica.
Nos últimos anos de sua carreira participou do desenvolvimento do parque temático Aventura Jurássica, em Balneário Camboriú, integrando uma equipe multidisciplinar formada por arquitetos, engenheiros e paleontólogos. A partir do conceito inicial do empreendimento, colaborou na transformação da proposta em um espaço de visitação, desenvolvendo estudos em maquete, definição dos percursos, implantação do paisagismo, concepção cenográfica e acompanhamento diário da execução da obra. Seu trabalho articulava referências científicas, soluções construtivas e linguagem artística para criar ambientes capazes de conduzir o visitante por diferentes períodos geológicos, integrando conhecimento, paisagem e experiência sensorial.
Essa etapa representa a maturidade de sua trajetória profissional. Mais do que pintor, escultor ou cenógrafo, Roberto Gallo passou a atuar como articulador entre diferentes áreas do conhecimento, reunindo arte, paisagismo, arquitetura, engenharia e pesquisa científica na criação de ambientes imersivos. Sua contribuição consistia em transformar conceitos técnicos em paisagens capazes de despertar contemplação, educação ambiental e pertencimento, fazendo da natureza não apenas um tema de representação, mas uma experiência vivida.
Roberto Gallo faleceu em 18 de julho de 2023, aos 66 anos, deixando um legado presente em hospitais, espaços públicos, aquários, zoológicos, parques temáticos e instituições culturais. Ao longo de quase cinco décadas, desenvolveu uma obra marcada pela integração entre pintura, escultura, paisagismo e cenografia ambiental, expandindo progressivamente a escala de sua atuação sem abandonar a pesquisa que orientou toda a sua trajetória: a construção da paisagem como expressão artística. Seu trabalho permanece vivo em espaços visitados diariamente por milhões de pessoas, reafirmando a capacidade da arte de transformar ambientes, aproximar o ser humano da natureza e produzir experiências de conhecimento, contemplação e acolhimento.
Roberto Gallo na frente da cenografia criada no Bioparque Pantanal
Artista Roberto Gallo no túnel do grande tanque no Bioparque Pantanal
o Artista Roberto Gallo em fase de execução da pintura do mural da Cenografia Veredas no Biorparque Pantanal
Roberto Gallo e Francisco Gallo na cenografia executada no Estúdio de Richard Rasmussen
Roberto Gallo realizando retoque de pintura em cenografia de rocha artificial
Roberto Gallo em saída de campo para inspiração de execução de cenografia em Corumbá-MS
Roberto Gallo em saída de campo para inspiração de execução de cenografia em Anavilhanas-AM
Roberto Gallo no túnel do Oceanic Aquarium após a inauguração
Bastidores da montagem e execução de cenografia temática por Roberto Gallo no Oceanic Aquarium.
Roberto Gallo na execução de cenografia no Oceanic Aquarium
Roberto Gallo durante os ajustes finais da tematização dos tanques no Oceanic Aquarium
Roberto Gallo apresentando itens cenográficos para Ciro Cabreira, durante a execução da Aventura Jurássica em Balneário Camboriú